
Por Jornalista Marcy Bezerra, Extra do Acre.
Mundialmente o mês de outubro é marcado por ações afirmativas relacionadas à prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama. Celebrado anualmente desde os anos 90, o movimento conhecido como Outubro Rosa tem como objetivo principal compartilhar informações não somente sobre o câncer de mama, como também recentemente adaptado para informar sobre o câncer do colo do útero, promovendo a conscientização sobre as doenças, proporcionando maior acesso aos serviços de diagnóstico e contribuindo para a redução da mortalidade.

Mirlene Taumaturgo, mãe, esposa, servidora pública, aos 45 anos conta que “aos 33 anos de idade após um autoexame, três dias após a menstruação, percebi um nódulo pequeno na mama esquerda. Ao retornar de férias, procurei um especialista e fui diagnosticada com um câncer Ductal Invasivo, menor que um centímetro, o que me fez buscar tratamento emergencial. Passei por quimioterapia, radioterapia, e após cinco anos do final do meu tratamento resolvi fazer a mastectomia e colocação de próteses mamárias de maneira preventiva, evitando assim uma recidiva. Após o diagnostico percebi a importância de alertar e incentivar outras mulheres sobre o autoexame. Sendo esse uma forma de todas as mulheres olharem para si, conhecer seu corpo, perceber qualquer alteração e sendo positivo procurar o tratamento o quanto antes”.
Para Mirlene, falar sobre o câncer de mama como forma de prevenção a deixa muito feliz, pois se sente parte de uma rede de auxílio a todas as mulheres que possam estar passando pelo diagnóstico e/ou daquelas que precisam entender a importância de olhar cada vez mais para si, para conhecer o próprio corpo e entender que um simples toque como autoexame pode salvar sim a vida.
Renata Messias, advogada, 32 anos, e aos 29 anos de idade foi diagnosticada com câncer de mama, doença esta que segundo O Instituto Nacional de Câncer (INCA) é a primeira causa de morte na população feminina em todas as regiões do Brasil, exceto na região Norte, onde o câncer do colo do útero ocupa essa posição. A taxa de mortalidade por câncer de mama, ajustada pela população mundial, foi 11,84 óbitos/100.000 mulheres, em 2020, com as maiores taxas nas regiões Sudeste e Sul, com 12,64 e 12,79 óbitos/100.000 mulheres, respectivamente (INCA, setembro de 2022).

“Apesar de eu ter histórico familiar, eu tinha conhecimento dos exames que deveríamos fazer e eu fazia os mesmos todos os anos. Em abril de 2019 num belo dia, nem estava fazendo o autoexame, toquei na mama e senti uma coisa estranha, pegava em um lado, no outro e diferente do que pensamos, porque eu tinha essa indução de pensar que os nódulos são em forma de bolinhas, especifica, e não é. No meu caso era uma diferença tátil, de um lado de um jeito, do outro apresentava formato um pouquinho mais rígido, mas não era um caroço, não doía e eu não sentia nada. Fui ao médico e mesmo ele dizendo: “não deu nada, são nódulos pós-período menstrual”, eu fui e busquei saber realmente o que era, pois apesar de não incomodar aquele nódulo continuava ali”, discorre Renata.

Renata alerta as mulheres a buscarem informação sem medo, como prevenção “hoje principalmente temos muita facilidade de acesso, campanhas, no Outubro Rosa, momento de uma campanha linda, temos o Hospital do Amor que faz exames gratuitos. Não precisa agendar, é só chegar lá. Varias universidades oferecem informações e exames. inclusive eu semana passada fui testemunhar em um evento do Outubro Rosa em um Posto de Saúde (Unidade de Saúde Familiar) e lá estavam promovendo exames gratuitos de prevenção.”, relata a advogada.
Para Mirlene e Renata a parte mais difícil foi o diagnóstico: “todo o tratamento não é nada fácil, existem ainda muitos mitos e falas sobre o câncer de mama e pensamos que estamos à beira da morte, porém precisamos hoje entender que o câncer de mama não é mais um diagnóstico de morte. Agora dia 26/11 é o dia do meu renascimento, data da minha última quimioterapia e estar aqui com vida me faz ser grata a Deus e sem Ele e os anjos que Deus nos envia. Aprendi a ser ainda mais prestativa, me doar e espalhar amor onde quer que eu esteja e estou à disposição para ser ponte para todas as mulheres que de alguma forma precisar de mim”, afirma Mirlene Taumaturgo.
“No dia que eu recebi o real diagnóstico foi o exato dia que recebi uma promoção no trabalho e isso para mim foi doloroso, pois minha maior luta seria o tratamento, e eu precisei enfrentar e não pude aceitar essa conquista profissional. O câncer de mama hoje ainda é extremamente estigmatizado e correlacionado a casos de morte, então você pensa sim que a vida acabou e todos os seus planos. Vemo-nos no meio do fogo sabendo que vamos ter que enfrentar, nos queimar, e nesse momento, precisamos de um aparato muito grande e óbvio que todos ao nosso redor se desesperam e isso aumenta ainda o desespero, mas não podemos perder a fé e jamais desistir de enfrentar a doença e passar por todo o tratamento, hoje estou aqui, graças a Deus e isso deve-se ao fato de eu ter o hábito de auto examinar-me, destaca Renata Messias.
Durante todo o processo, Mirlene e Renata receberam apoio de familiares, mãe, amigos, de várias pessoas até então distantes, com orações. “Crer em Deus nos faz confiar de que a bonança virá, as coisas boas virão, para mim foi primordial me apegar a Deus porque o tratamento ele é sofrido, não é um mar de rosas, e eu conversava muito com Deus assim: Deus que eu não esteja passando por isso aqui em vão, que se estou sofrendo tudo isso aqui, que esse sofrimento seja útil para ajudar outras pessoas e que isso não acabe aqui comigo e que eu sofra pelo que o outro não precise sofrer também. Então eu me coloco a disposição de quem tiver querendo conversar, tirar dúvidas, e no que eu puder diminuir a dor do outro com a minha história, estou aqui, pois acredito que esse é meu real objetivo de estar aqui hoje”, reitera Renata Messias.

Renata e Mirlene estão na plataforma digital do Instagram com os respectivos arrobas @remessias e @mirlene_taumaturgo.
Toda a entrevista emocionante estará disponível sábado 05/11/22 em todas as plataformas digitais e será exibida também nos programas: Se Liga Na TV canal 10.1 SBT da jornalista Marcy Bezerra e Clipping Cidade do apresentador e radialista Fábio Lopes da radio e TV Cidade e TVA ACRE HD canal 9.1 da capital Acreana!!!




















































