
O trabalhador rural Francisco Tiago Silva de Souza, morador da comunidade Cruzeiro, na colônia São Francisco, em Santa Rosa do Purus, dedica parte de seu tempo à preservação dos tracajás. Há quase 20 anos, ele realiza de forma voluntária o manejo dos ovos da espécie com o objetivo de aumentar a reprodução e evitar que os animais desapareçam da região.
A iniciativa começou em 2007, quando Francisco Tiago e os irmãos observaram que, durante o período de desova, pessoas costumavam procurar as praias de areia para retirar os ovos dos tracajás e utilizá-los para consumo. A retirada constante dos ovos, segundo o trabalhador, vinha reduzindo a quantidade de animais.
Diante da situação, ele passou a retirar os ovos encontrados nas áreas de desova e transferi-los para um espaço preparado e protegido, semelhante a uma praia. No período adequado, acompanha a eclosão dos filhotes e, depois, realiza a soltura dos tracajás no rio.
O trabalho tem resultado na devolução de centenas de animais à natureza. Segundo Francisco Tiago, somente no ano passado foram cerca de 350 tracajás soltos no rio. Neste ano, aproximadamente 200 filhotes já foram devolvidos ao ambiente natural.
“A meta é não deixar que esses animais sejam extintos do nosso território”, afirmou.
Mesmo mantendo o trabalho há anos, Francisco Tiago afirma que a iniciativa nunca recebeu apoio das autoridades. Ele aproveitou para fazer um apelo aos gestores e órgãos responsáveis pela proteção ambiental.
“Esse é um projeto voluntário que eu faço há anos. Peço ajuda das autoridades, dos gestores. Infelizmente nunca tive ajuda de ninguém. Mesmo assim, estou fazendo a minha parte. Esse projeto é muito importante para o rio Purus”, declarou.
A ação voluntária busca contribuir para a preservação dos tracajás e para a manutenção da fauna às margens do rio Purus, em uma região onde a espécie enfrenta dificuldades durante o período de reprodução.




















































