
Durante 54 anos, Alzenira Araújo da Silva carregou apenas o nome da mãe em sua certidão de nascimento. Embora sempre soubesse quem era seu pai, o reconhecimento nunca havia sido oficializado. Neste sábado, 1º, durante o programa Meu Pai Tem Nome, promovido pela Defensoria Pública do Acre, ela finalmente realizou um sonho que alimentava desde a juventude que era incluir o nome do pai, Raimundo da Silva, em seu registro civil.
Natural de Sena Madureira no interior do Acre, Alzenira chegou em Rio Branco aos 23 anos sem sequer possuir registro de nascimento. Na época, foi registrada apenas com o nome da mãe, já que o pai não a acompanhou durante o procedimento.
Décadas depois, ao saber da realização do programa, fez o agendamento e veio à Defensoria acompanhada do pai, hoje com 86 anos. “Meu sonho era ter o nome dele no meu documento. Ele veio comigo, deu tudo certo e hoje realizei esse sonho”, contou, emocionada.
A emoção ganha um significado ainda mais especial porque, neste ano, Alzenira celebrará o Dia dos Pais pela primeira vez com o nome do pai oficialmente registrado em sua certidão de nascimento.
Enquanto a filha comemorava a conquista, Raimundo demonstrava, com poucas palavras, toda a felicidade de participar daquele momento. “É bom demais”, resumiu, sorrindo. Além da emoção pelo reconhecimento, Raimundo também elogiou o atendimento recebido durante a ação. “Foi ligeiro. Gostei muito”, disse.
Para Alzenira, a própria história também deixa um recado para outras famílias. Entre seus dez irmãos, outros dois ainda não possuem o reconhecimento da paternidade, e ela espera que o exemplo incentive os outros a buscarem esse direito. “Se a minha história puder inspirar outras pessoas, eu fico muito feliz. Tive dificuldades para chegar até aqui, mas consegui. Graças a Deus, deu tudo certo”, disse.
Após mais de cinco décadas de espera, ela deixa a Defensoria Pública com um novo documento nas mãos e a certeza de que sua identidade agora também carrega, oficialmente, o nome do pai que sempre fez parte de sua vida. Mais do que acrescentar um nome à certidão, o programa Meu Pai Tem Nome permite que histórias como a de Alzenira sejam finalmente reconhecidas.
Autor: Felícia Lanay- Dicom DPE/AC.
Foto: Felícia Lanay- Dicom DPE/AC.
























































