
Um laudo da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) não apontou contaminação nas amostras de água coletadas após o derramamento de 15 mil litros de óleo no Rio Tarauacá, no município de Jordão, interior do Acre, no dia 24 de abril. Segundo o órgão, a água pode ser utilizada pois todos os parâmetros analisados apresentaram resultados dentro da normalidade.
O vazamento ocorreu após o naufrágio de uma balsa da Transportadora RI Ltda., à época, o acidente provocou preocupação entre moradores ribeirinhos, mobilizou órgãos ambientais e levou à decretação de situação de emergência no município. Após 4 dias do desastre, no dia 28 de abril, a Sema colheu as amostras. A Transportadora foi multada em R$ 3 milhões ainda podendo recorrer.
Conforme a Sema, o relatório técnico com os laudos laboratoriais foi encaminhado ao Ministério Público do Acre (MP-AC) e à Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) que acompanharam o caso. A reportagem entrou em contato com representantes da empresa e com o MP-AC e, até a última atualização desta reportagem, não havia obtido resposta.
Em nota, a Sema, disse que o laudo confirmou que os compostos ligados ao combustível e outros metais não apresentou concentrações indicativas de contaminação. Ainda assim, o órgão disse que possui 17 pontos de monitoramento distribuídos em nove rios do Acre.
Embora a turbidez estivesse elevada (variando de 530,09 a 898,50 nos laudos), a análise técnica apontou que essa condição era devida ao período chuvoso amazônico (caracterizado pelo aumento de sedimentos, matéria orgânica e partículas em suspensão durante as cheias) e não pelo vazamento.
Além disso, os laudos destacaram resultados como a temperatura da água, oxigênio dissolvido (OD), demanda bioquímica de oxigênio (DBO), demanda química de oxigênio (DQO) e condutividade elétrica não indicaram alterações incompatíveis com a avaliação técnica feita.
Especialista alerta
Apesar do resultado da análise, o professor e pesquisador em Geografia, Ciência, Inovação e Tecnologia para a Amazônia, da Universidade Federal do Acre (Ufac), Rodrigo Peréa, explica que um laudo negativo não significa que o desastre ambiental deixou de existir.
Segundo ele, a própria dinâmica dos rios amazônicos pode fazer com que o combustível desapareça rapidamente da coluna d’água, o que acaba dificultando sua detecção em análises feitas da forma como ocorreu, dias depois do desastre.
“A água corrente se renova a cada segundo. Se as amostras foram coletadas dias após o pico do vazamento, ou em áreas onde a correnteza já havia levado o combustível, os níveis de óleo ficam abaixo do limite de detecção dos equipamentos. Um laudo não anula o desastre ambiental”, ponderou.
Ainda de acordo com o pesquisador, os maiores impactos não estão necessariamente dissolvidos na água, mas na superfície do rio e nos sedimentos do fundo. Ele explica que a película de diesel bloqueia a troca de oxigênio entre a água e o ar, contamina a vegetação e afeta peixes, aves e insetos da região.
“O dano causado por um derramamento de diesel não está apenas no que se dissolve na água. O impacto ocorre na superfície, na vegetação ciliar e nos organismos que dependem desse ambiente. Isso afeta diretamente a pesca e a segurança alimentar das comunidades ribeirinhas e indígenas”, diz.
Com Informações do G1-Acre.





















































