
Maria Lucineia, a Néia, e a governadora Mailza Assis têm trajetórias diferentes e profissões de fé distintas. Uma é católica fervorosa, a outra é evangélica fervorosa. Ambas chegaram ao poder e fizeram da religião uma marca de suas vidas públicas. A fé de cada uma é um assunto pessoal e merece respeito. O debate, no entanto, está na forma como a política é conduzida.
Néia foi a única prefeita do Acre a não conseguir a reeleição em 2024. Sua derrota, para muitos observadores, não ocorreu necessariamente por causa de sua gestão, mas pela maneira como conduziu a articulação política. A avaliação recorrente era de que acreditava não precisar de aliados para vencer e que bastaria sua própria força política. Em diversos momentos, manifestações de sua religiosidade também passaram a ocupar espaço no discurso político, como quando relatou que Deus teria lhe revelado até o vestido que usaria na cerimônia de posse. Fé não se discute, mas sua utilização na política sempre desperta debates.
No caso de Mailza Assis, o cenário é diferente, mas o resultado começa a apresentar semelhanças. A governadora assumiu o comando do Estado sem ter sido eleita diretamente para o cargo, fruto da sucessão prevista pela legislação após deixar a vice-governadoria. Sua trajetória política foi construída por meio de articulações e alianças, algo comum na dinâmica política brasileira e que, por si só, não representa qualquer demérito.
Entretanto, enquanto Néia enfrentou dificuldades por acreditar que poderia caminhar praticamente sozinha, Mailza passa por um processo inverso. Ela recebeu uma ampla base política construída pelo ex-governador Gladson Cameli, mas, ao longo do tempo, essa aliança vem se desgastando. O afastamento de antigos aliados e as sucessivas crises políticas alimentam a percepção de que a própria base está sendo desfeita.
Em Tarauacá, Néia acabou pagando um preço alto pela falta de diálogo, por não ampliar alianças quando teve oportunidades e por ouvir um grupo político muito restrito. No governo estadual, críticos avaliam que Mailza corre o risco de enfrentar problemas semelhantes, ainda que por caminhos diferentes. Se uma acreditava que não precisava de aliados, a outra vê uma base que lhe foi entregue se fragmentar gradativamente.
A política, independentemente da fé de seus protagonistas, continua sendo construída com diálogo, articulação e capacidade de reunir pessoas em torno de um projeto comum. Quando essas pontes deixam de existir, o custo político costuma aparecer nas urnas ou na perda de sustentação entre aqueles que antes eram aliados.
Néia, ao menos, tinha um Jesus na política para aconselhá-la. Mailza, ao que parece, não conta com alguém que exerça esse papel. Jesus [esposo] alertou Néia em diversos momentos; já Mailza vem tomando decisões por impulso. Política não se faz dessa forma. Enquanto isso, quem acaba se beneficiando desse cenário é Alan, que vem ampliando sua base e conquistando apoios quase de graça.



















































