Em entrevista ao Podcast 68cast após o resultado das eleições municipais, a ex-prefeita de Tarauacá, Maria Lucinéia (PDT), falou abertamente na quarta-feira, 7, sobre o impacto emocional da derrota nas urnas e fez um balanço de sua gestão à frente da prefeitura. De forma serena, Lucinéia destacou que o resultado representou, mais do que uma perda pessoal, um retrocesso para os avanços conquistados pela população.

“Com certeza. Eu creio que tudo coopera para o bem dos que amam a Deus. Da mesma forma que o Senhor me deu a vitória, mostrando para, não só para Tarauacá, mas para o Acre, que dá pra fazer uma boa política, não politicagem. Que quando você trabalha com dinheiro público, com seriedade, dá para comprar medicamento para o povo, ter um medicamento ali numa farmácia pública, dá pra fazer ação de saúde no interior, dá pra ter médico, como tinha três médicos na BR, sentido Cruzeiro do Sul, nos três postos, com medicamento, dentistas. Dá pra ter passagens de TFD para o acompanhante e também para o paciente”, pontuou.
Lucinéia lembrou que, durante seu mandato, foram construídas cerca de 62 escolas na zona rural, com acesso a internet, luz e poços artesianos. “As escolas eram deterioradas, assim… Meu Deus, não tem o que explicar. Dá pra ter realmente ali um serviço, que é o que a população espera de um gestor, de uma gestora”, declarou.
Ela também falou dos programas sociais voltados às mulheres e à infância. “Cuidar de mulheres, porque, quando eu assumi, nós montamos ali um atendimento, uma delegacia para atender a mulher vítima. Tivemos ali, aderimos à lei, é um projeto do Tribunal de Justiça, que era cuidar dos homens, no sentido de orientar esses homens com o Doze Encontro, que é o grupo reflexivo. Aderimos também à lei Maria da Penha Vai à Escola. Crianças eram já trabalhadas lá na infância sobre a violência contra a mulher. Então, inúmeros trabalhos foram realizados”, relatou.
Maria Lucinéia também relatou seu envolvimento pessoal em ações sociais. “Levar pessoas com drogadição, pessoas em situação de rua para uma clínica, de eu ir lá, de eu levar. Então, isso, pra mim, não tem preço. E não ganhar as eleições, eu não vejo uma perca pra mim, é uma perca pra população”, pontuou.
A ex-prefeita atribuiu parte da falta de reconhecimento ao machismo estrutural presente na política. “Infelizmente, como eu disse, a gente ainda vive uma sociedade muito machista. Eu sempre brincava, mas falando sério: Tarauacá tem 112 anos, só teve duas mulheres nesse período. Se tudo que eu fiz… Nós fechamos, por exemplo, valas abertas, esgotos a céu aberto. Tem uma entrada da cidade, a Rua Capitão Hipólito, há mais de 30 anos aquela vala estava lá. Visitantes eram recepcionados por uma vala aberta. E a gente fechou. Foi um desafio. E eu enfrentava isso. Quando estava tudo funcionando, dava certo”pontuou.
Lucinéia também citou obras de drenagem, habitação e saneamento básico. “Fizemos canais, resolvemos a questão dos alagamentos no centro da cidade e no Bairro Novo. Entregamos mais de 20 casas, deixei vários projetos licitados, mais de cento e tantas casas com emenda do deputado Jesus Sérgio, uma orla pra ser executada, ramais, ruas, escolas, postos de saúde… Muito serviço pra ser executado nessa nova gestão”, relatou.
Ao final, a ex-prefeita reforçou a crítica ao preconceito de gênero. “Eu brincava que se fosse um homem executando tudo que eu fiz em quatro anos, ele tinha recebido um grande prêmio. Só que era uma mulher, e até pra me elogiar, muitos diziam assim: ‘ela é macha’. Até a forma do elogio”, encerrou.























































